No abismo do têxtil

Todos os anos, são mais de 100 mil milhões as peças de roupa e os acessórios vendidos em todo o mundo: um consumo que duplicou em apenas 15 anos e que ilustra o novo fenómeno da «moda descartável».
Este vício da moda e da compra compulsiva de roupa traduz-se em pesadas consequências ambientais.
Novas coleções sazonais, preços cada vez mais baixos, saldos e promoções, quebra da qualidade. Os períodos de saldos são anunciados como acontecimentos nacionais, e comprar roupa tornou-se um gesto simples, fácil, banal e, no entanto, de impacto pesado.
Entre a utilização de substâncias químicas e nocivas para a produção e o fabrico das fibras, o desperdício de recursos provocado pelo consumo excessivo de roupa, e a poluição gerada pelos quilómetros percorridos por uma peça de roupa antes de chegar à loja, a moda é claramente uma das indústrias mais poluentes do mundo.
Assim, a indústria da moda produz 20 % das águas residuais mundiais e 10 % das emissões mundiais de carbono, ou seja, mais do que o conjunto das emissões provenientes dos voos internacionais e da navegação marítima.
Uma vez nos nossos armários, a manutenção da nossa roupa, especificamente das fibras sintéticas, está na origem de 500 000 toneladas de plásticos lançados no oceano por ano, ou seja, o equivalente a 50 mil milhões de garrafas de plástico.
Estes consumos representam o 4.º posto de consumo na UE, depois da alimentação, da habitação e dos transportes. É também a segunda fonte de pressão sobre a utilização das terras (depois da alimentação), bem como uma quantidade considerável de poluição química e hídrica, assim como diversos impactos sociais negativos.
Ora, menos de 1% dos nossos têxteis são reciclados e a cada segundo o equivalente a um camião do lixo de têxtil é enterrado ou queimado. Se nada mudar, o setor da moda utilizará um quarto do orçamento de carbono mundial até 2050, alerta o Programa das Nações Unidas para o Ambiente.
Porque cada cidadão pode contribuir, à sua escala, para o desenvolvimento de uma moda mais sustentável, a Army of Nature lança a sua campanha para sensibilizar todos os agentes sociais para os impactos do nosso consumo excessivo de têxtil, dando ao mesmo tempo pistas para o reduzir.
Reparar a roupa em vez de a deitar fora, comprar em segunda mão em vez de novo, reciclar o que já não se pode vestir e sobretudo evitar a compra compulsiva e irrefletida. Não faltam soluções para travar este desperdício e as poluições que dele decorrem.
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