DOSSIER 08

Karma Virus

Publicado a 4 min de leituraAtualizado a
Pale grey coronavirus particles against a black background

Ao longo de todos os ciclos, de todos os séculos, houve pandemias, elas fazem parte da história da humanidade desde a nossa sedentarização e a partir do momento em que decidimos encerrar o vivo e explorá-lo. As zoonoses, doenças infecciosas transmissíveis do animal ao homem, serão cada vez mais frequentes se a humanidade prosseguir a sua corrida desenfreada rumo à destruição maciça do seu ecossistema. A transmissão destes agentes patogénicos da fauna selvagem ao homem é o custo do desenvolvimento económico e da industrialização galopante.

Criamos aberrações biológicas sistemáticas que têm consequências graves na biosfera. Um estudo publicado na revista Nature conclui que a exploração das terras para a agricultura intensiva, que aproxima os humanos dos animais selvagens cujo habitat é perturbado, torna mais provável o surgimento de pandemias como a da Covid-19. Segundo este estudo, os vírus de que são portadores os animais selvagens têm mais risco de serem transmitidos aos humanos devido à evolução da exploração das florestas, dos mares e dos solos.

O desenvolvimento e a rapidez dos fluxos migratórios e das trocas à escala mundial, o crescimento da pressão antrópica em numerosos ecossistemas do globo (devido à desflorestação e à urbanização, nomeadamente), as alterações climáticas, bem como o colapso dos sistemas de saúde em certos países, contribuem para explicar este aumento de doenças emergentes de tipo zoonótico.

A sobrepopulação acentua estes fenómenos. Somos cada vez mais numerosos, ocupamos cada vez mais lugares ainda intactos e ficamos, ao mesmo tempo, cada vez mais expostos às repercussões destes impactos. Criamos oportunidades para que estes vírus se transmitam mais facilmente, mas ficamos surpreendidos quando isso acontece.

Desde que o homem começou a construir cidades, portos, fábricas, lixeiras, os alicerces da nossa sociedade moderna, aglutinou-se, aglomerou-se e separou-se do seu habitat natural. Como um vírus ou uma espécie invasora qualquer, mutou e infetou nocivamente o seu ambiente.

Isto nada tem de uma vaga teoria, os extermínios em massa, as criações intensivas, a exploração da natureza, a desflorestação, o cativeiro de animais selvagens, o consumo industrial sem consciência nenhuma já nada têm a provar quanto à aptidão do Homem para destruir o seu ambiente. Que outra forma de vida se comporta desta maneira senão uma bactéria ou um vírus?

Quando o ser humano vai para a guerra contra a natureza, cria convulsões, rompe o equilíbrio sagrado e esta acabará forçosamente por se rebelar, as zoonoses são afinal o resultado deste mecanismo de defesa eco-lógico do nosso ecossistema, representado nesta teoria Vega como um só e mesmo organismo.

Os primeiros vestígios escritos incontestáveis de uma pandemia de peste datam do século VI. Mas, segundo um estudo recente, a doença teria chegado da Ásia há cerca de 5000 anos.

Na literatura científica, as pandemias e os vírus são muito conhecidos. Não são os primeiros, nem os últimos. Os cientistas estão longe de ficar espantados com a situação atual. A única coisa que não se sabe prever é a data exata e o nível de propagação. As pandemias fazem parte da história do homem, mas os vírus fazem parte da história do mundo há milhares de milhões de anos, se uma confrontação é inevitável, não é complicado adivinhar quem vencerá.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) prepara-se permanentemente para a próxima «doença X», alcunha dada à próxima ameaça sanitária que poderia atingir o planeta. Enquanto a destruição do habitat de inúmeras espécies vivas, reservatório de vírus potencialmente mortais para o homem, se intensifica a nível mundial, a presente pandemia de coronavírus poderá não ser mais do que o início de uma era de pandemias internacionais.

Todas as pandemias, quer seja a gripe Espanhola (genes aviários) transmitida pelas aves de capoeira mas sobretudo pela sua exploração industrial, a gripe suína ou ainda o Ébola. São sempre causadas pelos mesmos processos, o homem não respeita a natureza e as suas leis.

Ainda assim, continua a interrogar-se sobre a razão pela qual sofremos tais castigos e adora fazer-se de eterna vítima, brandindo toda a espécie de conspirações fictícias sem reconhecer que o ser humano é o principal agente patogénico e responsável por estes desequilíbrios, consequências inevitáveis da sua loucura.

A humanidade esquece demasiadas vezes que não é mais do que uma convidada e permite-se construir um mundo deficiente, arrogante, sem consciência destas leis fundamentais, erguendo um castelo de cartas assente em valores totalmente antropocentrados e deficientes.

Pouco importa o dinheiro, a tecnologia e todos os gadgets usados para se proteger ou inovar, pouco importam todos esses muros erguidos, essas espécies de pensos de um mundo em ruínas serão inúteis.

Este sistema moderno vaidoso e alienante fecha-se sobre si mesmo. E, uma vez que todos pedalamos lá dentro, somos por isso todos responsáveis. É necessário um trabalho individual de consciência e, no fim, coletivo, para um futuro mais são, mais justo... um regresso à fonte, ao essencial é indispensável e para evitar este género de crise sanitária no futuro.

Este trabalho de consciência que nos esforçamos por levar a cabo está em curso, fique ligado.

Alex Vega Lynn

Army of Nature ⚡

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