DOSSIER 08

O olho do Ciclone

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A cyclone seen from orbit, its eye at the centre of the spiral, the curve of the Earth behind

Um ciclone é uma formidável máquina termodinâmica que «consome» milhares e milhares de quilómetros cúbicos de ar. Estes movimentos de ar, extremamente violentos, geram fenómenos meteorológicos gigantescos que desenvolvem uma energia considerável, equivalente à de várias bombas atómicas por segundo!

O olho de um ciclone tropical é uma zona de ventos calmos no centro da circulação ciclónica. É delimitado pela parede do olho, uma parede de trovoadas onde as condições meteorológicas são as mais extremas. É mais ou menos circular e o seu diâmetro característico é da ordem dos 30 a 60 quilómetros, embora esse diâmetro varie muito consoante a intensidade do sistema. A pressão aí é a mais baixa do sistema, mas a temperatura em altitude é mais elevada do que a do ambiente, ao contrário de uma depressão clássica que tem um núcleo frio. Acontece por vezes o olho não estar no centro e rodar ou deslocar-se em várias direções à volta do centro do ciclone. As ondas convergem no entanto por baixo do olho, tornando o mar muito perigoso.

No interior da zona coberta pelo olho, o ar sofre potentes movimentos descendentes. Esta subsidência contraria a formação das nuvens e consegue frequentemente fazê-las desaparecer. É assim que se explica o céu relativamente limpo que se observa na maior parte das vezes nesta zona. Do mesmo modo, esta compressão das camadas de ar para baixo provoca uma subida da temperatura; de facto, as temperaturas são frequentemente mais elevadas no interior do olho do que no exterior. Quando as massas de ar atingem o oceano, ganham um movimento turbilhonar sob o efeito da força de Coriolis e divergem sofrendo uma força centrífuga que tende a desviá-lo para o exterior. Simultaneamente, o ar que se encontra à superfície, por cima do oceano, a alguma distância do ciclone, é atraído para o centro deste, ou seja, para o olho. A pressão, muito baixa no interior do olho, pode ser comparada a um verdadeiro poço que atrai o ar irresistivelmente. Este desloca-se em espirais e roda cada vez mais depressa à medida que se aproxima do centro. Choca com a força centrífuga exercida pelos movimentos descendentes do olho. Resultado, é brutalmente projetado em altitude. Este ar quente, leve, muito húmido, provoca a formação de enormes nuvens. É uma verdadeira parede de nuvens de tempestade que rodeia então o olho do ciclone. A condensação do vapor de água liberta então calor latente, o que aumenta ainda mais o processo e constitui de certa forma o «combustível» do ciclone.

Perante esta potência, a natureza ensina-nos a humildade, que nem tudo está garantido na terra e que as nossas construções não passam de vento. Temos de aprender a lidar com ela, a escutá-la, em vez de nos impormos.

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