Araneae Malicia

As aranhas, da classe dos Aracnídeos, são predadores invertebrados artrópodes. O seu corpo divide-se em dois, o cefalotórax (parte anterior desprovida de mandíbulas e de antenas, dotada de oito patas) e o abdómen, que tem atrás as fieiras. Segregam por estes apêndices a seda que serve para produzir o fio que lhes permite deslocar-se, tecer a sua teia ou casulos que aprisionam as suas presas ou protegem os seus ovos, e até fazer uma reserva provisória de esperma ou uma cúpula que lhes permite armazenar ar debaixo de água doce.
Ao contrário dos insetos, não dispõem de asas, nem de antenas, nem de peças mastigadoras na boca. Possuem em geral 6 a 8 olhos que podem ser simples ou múltiplos.
A ordem Araneae é muito homogénea dos pontos de vista morfológico e anatómico, mas de biologia extremamente variada, tanto pelos diversos usos da seda como pelas modalidades do comportamento aquando da predação ou da reprodução. Enquanto predadoras, as aranhas desempenham um papel maior na regulação das populações de insetos, e são elas próprias reguladas por predadores muitas vezes específicos (répteis, aves ou insetos). Adaptaram-se a quase todos os meios, de cavernícolas a montanhosos, dos meios árticos aos equatoriais. Só as águas salgadas, as altitudes muito elevadas e os meios muito frios não foram colonizados pelas Araneae.
As aranhas podem inocular um veneno para se protegerem ou paralisar as suas presas, liquefazendo os seus órgãos internos por meio de enzimas. As mordeduras de grandes espécies são muitas vezes dolorosas, mas não deixam sequelas. Só 200 espécies conhecidas infligem mordeduras suscetíveis de afetar a saúde do Homem.
As aranhas e os insetos desempenham um papel importante na mitologia e na religião dos Índios hopis. Aparecem muitas vezes na arte rupestre, nas pinturas murais e nos objetos cerimoniais. Estão também muito presentes nos mitos e nas histórias, onde desempenham papéis de heróis ou de vilões. As aranhas são, com efeito, concetualizadas como criaturas benéficas que trazem a vida nos mitos fundadores ou como assistentes malfazejos na feitiçaria.
A aranha simbolizou a paciência e a persistência, por causa das suas técnicas de caça. É também um símbolo do engano e da malícia por causa do seu veneno tóxico e da morte lenta que ele causa, que era muitas vezes interpretada como uma maldição.
BIOMIMETISMO
As teias confecionadas para capturar as presas possuem trunfos de solidez, e de elasticidade notáveis:
São muito leves (uma teia que desse a volta à Terra pesaria apenas 320 gramas).
Apresentam uma capacidade de absorção dos choques muito grande.
Podem alongar-se 40 % antes de se romperem.
Para romper uma teia de aranha é preciso dez vezes mais energia do que para qualquer outro material biológico semelhante.
Em comparação, a seda de aranha é 4 x mais resistente do que o kevlar (resina muito sólida utilizada sob a forma de fibras em certos materiais compósitos como, por exemplo, o colete à prova de bala) e 60 vezes mais do que o aço.
Os cientistas descobriram o que tornava o fio de seda de aranha muito sólido e muito flexível: são duas proteínas, primeiro a fibroína a 63,5% e em segundo lugar a sericina a 22,5%.
O resto da seda é composto muito simplesmente por matérias gordas, minerais e água.
A aranha...De um outro ponto de vista por Vegavision 🕷