DOSSIER 08

Octopus.... Alien dos mares

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An octopus on a reef wall, arms spread and suckers turned toward the camera

Os Cefalópodes...Polvos...Octopus,

são seres estranhos e surpreendentes.

Esta classe de animais, que se inclui no filo dos Moluscos, desenvolveram capacidades de aprendizagem e de memorização tão poderosas que alguns chegaram mesmo a falar de formas inéditas de inteligência.

9 cérebros, 3 corações, 8 braços, olhos gigantescos e uma inteligência fora do normal, eis seres que julgaríamos vindos de um mundo imaginário. Com cores que mudam mais depressa do que o olho consegue perceber, estes animais (polvos, lulas, chocos...) conseguiram conquistar um lugar de destaque na cultura popular e científica.

É graças a estes seres que conseguimos elucidar o funcionamento do nosso próprio cérebro apesar dos milhões de anos que nos separam, e a investigação começa agora mesmo a interessar-se pelo potencial de um corpo mole e, ainda assim, constantemente em movimento.

Cada região possui pelo menos uma espécie de polvo, por vezes várias. É portanto normal que Octopus vulgaris, tal como os seus primos do mundo inteiro, se encontrem nas representações artísticas, nas narrativas e nas lendas de todo o planeta.

No mito havaiano da criação, os universos são construídos sucessivamente, sobre as ruínas do universo anterior. O polvo seria o único sobrevivente do mundo que precedeu o nosso.

Todos os países das margens do Mediterrâneo utilizaram os polvos nas suas representações artísticas, encontram-se em grutas de Minos que datam da idade do Bronze. São numerosos nos vasos, nas ânforas e nos frescos das épocas grega e romana. O polvo, um símbolo de regeneração e de transcendência, simboliza também a regeneração, pois quando um dos seus tentáculos é cortado, esse membro pode voltar a crescer.

Outrora, o kraken, animal mitológico, assustava os marinheiros. Olfato, tato, visão. Com os seus 300 milhões de neurónios, o cérebro do polvo faz prodígios. Do ovo à idade adulta, este alien marinho acumula conhecimentos e possuiria uma forma de proto-consciência.

Apesar de só verem a preto e branco, os polvos são ases da camuflagem. O seu cérebro comanda milhões de células cutâneas (os cromatóforos) que se dilatam para fazer aparecer diferentes cores ou se contraem para mostrar apenas o que está por baixo da pele, mudam de padrões numa fração de segundo e as suas combinações são infinitas. A um camaleão isso leva vários minutos.

Quando um polvo vê um filme com imagens subliminares de caranguejos, a sua pele muda de cor sem que isso ative o seu comportamento de predador, esta espécie de proto-consciência permite-lhe identificar a ficção da realidade.

Se o polvo dispõe das estruturas nervosas que produzem a consciência, decifrar esse mecanismo permitiria explicar como e porquê ela se elaborou de forma diferente nos vertebrados e nos invertebrados há 600 milhões de anos. E um dia, talvez, criar uma «Consciência» sintética ou robôs tão dotados como estes cefalópodes.

BIOMIMETISMO

As ventosas utilizadas pelo polvo para a caça, mobilizando as suas presas, inspiraram o homem, que adaptou estes princípios de aderência para os usar na vida de todos os dias, servindo de fixadores eficazes.

Utilizado durante cirurgias, este robô médico inspirado nos tentáculos do polvo pode dobrar-se, esgueirar-se, tornar-se rígido para permitir aos cirurgiões alcançar zonas do corpo humano de difícil acesso sem danificar os órgãos e limitar as incisões.

Vegavision, de um outro ponto de vista.

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